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Waiting for Superman não é apenas um filme cativante, que envolve o público pela narrativa emocionante e surpreende em seus minutos finais... é, antes de tudo, um soco no estômago da falida estrutura educacional pública americana. Pensando aqui com os meus botões, Davis Guggenheim bem que poderia ter novamente usado o   An Inconvenient Truth para o título desse seu trabalho. Nesses novos 111 minutos, o diretor engrena uma narrativa perfeita e dá nome ao que antes eram só estatísticas: nos apresenta a Antônio, Francisco, Bianca, Daisy, e Emily -- cinco crianças que encontram-se presas ao sistema, numa busca incessante por uma saída. O problema central abordado pelo filme são os professores, com o argumento infalível de que são eles as peças chaves da equação. Se os caras não estão nem aí para a educação da molecada, a presença deles nas salas de aula se resume a preencher carteiras e morrerem de tédio. E essa falta de incentivo gera desi...
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- Bilu é o escambau! Então... Esse... Essa... Isso... Enfim, esse conjunto quase absurdo de imagens em movimento - que na verdade me parecem mais inertes - foi a grande zebra no Festival de Cannes do ano passado, vencendo a Palma de Ouro. Lung Boonmee... divide opiniões: entre os que acham tudo muito bonito, muito mágico e muito lúdico; e os céticos (oi?!) que acham tudo confuso demais, chato demais e pretensioso demais. Talvez (atentem ao negrito), Lung Boonmee... seja ambos. O roteirista e diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul (aka Joe – apelido adotado por ele próprio na intenção de facilitar a vida dos escribas) criou uma fantasia eligia, impregnada de Zen Budismo, sobre um agricultor tailandês as vias de sua morte. Há algo excentricamente cômico sobre esse “rito de passagem”: os encontros com a esposa morta e uma mórbida semelhança entre seu filho e o intrépido urrador de Star Wars, Chewbacca, que o digam. No entanto, algo q...
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Há, definitivamente, um quê andrógino na figura mirrada de Laure -- protagonista do vencedor do Teddy Award  do Festival Internacional de Berlin (e do prêmio do júri de melhor longa do Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual , este, no último final de semana). A pequena acaba de mudar-se com seus pais e irmã mais nova para o bairro de um subúrbio francês, e ao ser confundida com um meninote por sua nova vizinha, Lisa, começa a fazer o jogo ao apresentar-se como Michaël, levando a mentira até onde o braço alcança e assumindo, de gruja ,  consequências engraçadas e às vezes bem desconfortáveis. Tomboy  (que do inglês é algo como "Maria-João", menina com trejeitos masculinos) é o segundo da diretora francesa Céline Sciamma, e segue quase a mesma linha do seu primeiro, Water Lilies , trazendo a tona questões sobre a exploração da sexualidade feminina nesse contexto homosexual. Digo quase, justamente por Tomboy ser uma espécie de retrocesso, ao menos...